Busca
Faça uma busca por todo
o conteúdo do site:
   
Home
Atualização Cadastral
Áreas de Atuação Profissional
Biblioteca
Bolsa de Empregos
Cadastro de cursos
Certidões
Comissões Técnicas
Concursos Públicos (CRQ-IV)
Consulta de Registros
Cursos e Palestras
Dia do Profissional da Química
Downloads
Eventos
Espaços para Eventos
Fale Conosco
Fiscalização
Formulários
Game
Informativos
Juramento
Jurisprudência
Legislação
Licitações
Linha do Tempo
Links
Localização
Noticiário
Perfil
Peritos Químicos
Planos de Saúde
Prêmios
Publicações
QuímicaViva
Regimento Interno
Selo de Qualidade
Sorteios
Transparência Pública
Siga-nos no Twitter   Conheça nosso Facebook   Nosso canal YouTube   Siga-nos no Instagram
 



Matéria Anterior   Próxima Matéria

Saneamento: 100 milhões não têm esgoto tratado
Autor: Carla Frederico


Dado consta de pesquisa da FGV. Instituto privado, que tem um Profissional da Química entre seus diretores, desenvolve ações visando a reversão desse quadro


Perto de cem milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto. Esse número representa mais da metade da população do País, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 190,8 milhões de pessoas. A unidade da federação que apresenta o pior índice nessa área é o Amapá, onde 97,36% da população não dispõem do serviço. São Paulo, com déficit de 14,44%, é o estado em melhor situação. Essas são algumas das informações reveladas pela pesquisa Saneamento, Saúde e o Bolso do Consumidor, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em novembro de 2008. O estudo foi encomendado pelo Instituto Trata Brasil, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que desenvolve ações voltadas a universalizar o acesso da população à infraestrutura de coleta e tratamento de esgotos.

Tradicionalmente, o conceito de saneamento básico inclui, além da coleta e tratamento de esgotos, a distribuição de água tratada. O Trata Brasil foca suas atividades apenas na área de esgotos, já que o acesso à água tratada é bem maior: mais de 80% da população é beneficiada pelo serviço.

O Químico Industrial Édison Carlos, membro do Conselho Superior da entidade, explica que os governos englobam os  serviços de limpeza urbana e de drenagem de águas pluviais no conceito de saneamento. Por isso, segundo ele, é comum que muitas prefeituras afirmem ter gasto milhões de reais em obras de saneamento sem direcionar nada à coleta de esgotos. Além de atuar no Trata Brasil, Édison Carlos é Gerente de Comunicação e Assuntos Corporativos da Solvay Indupa, empresa que apoia o instituto desde a sua fundação.

Nos locais onde o serviço de coleta de esgoto é inexistente, os dejetos são lançados diretamente em córregos, rios e mar ou acumulados em fossas. Além disso, mesmo em cidades onde há redes coletoras, dois terços do esgoto captado não são tratados e acabam tendo o mesmo destino poluidor e disseminador de doenças. A pesquisa da FGV mostra que cada R$ 1,00 investido em saneamento representaria uma economia de R$ 4,00 em gastos com saúde. Esse dado se explica porque o esgoto provoca contaminação da água e causa doenças – principalmente a diarréia, que, de acordo com dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), levam à morte sete crianças por dia no País, além de provocar 700 mil internações hospitalares por ano.A falta de saneamento afeta não apenas a saúde, como também agrava problemas sociais e econômicos. Outra pesquisa da FGV, divulgada em abril de 2008, intitulada Saneamento, Educação, Trabalho e Turismo, revelou que o aproveitamento escolar de crianças que não têm acesso a saneamento básico é 18% menor se comparado ao dos demais alunos. A pesquisa indicou, também, que os trabalhadores sem acesso a saneamento apresentam um índice de faltas ao trabalho 11% maior.

O engenheiro Raul Pinho, presidente do Trata Brasil, conta que a população que vive em meio a córregos contaminados, por falta de conhecimento, não associa o esgoto a céu aberto como causa de muitas doenças que a atingem. "Já estivemos em comunidades em que a mãe vê as crianças brincando nas valas negras e não do esgoto; ela reclama da falta de médico e de remédios para tratar a criança", compara.

Diante desse cenário, a estratégia adotada pelo Trata Brasil foi desenvolver trabalhos de conscientização e mobilização da população. As ações incluem a elaboração de pesquisas, a veiculação de campanhas de rádio e televisão e até mesmo a pressão direta em diversos setores do governo para a alocação de recursos. A entidade possui uma parceria com a Pastoral da Criança, cujos voluntários estão constantemente em contato com moradores de comunidades carentes instruindo-os sobre essa questão. Além disso, o instituto divulga informações por meio do programa que a pastoral leva ao ar em mais de duas mil rádios comunitárias no País, e de encartes e
artigos publicados no jornal dessa entidade, que são distribuídos para 300 mil famílias.

O instituto conta com diversos "embaixadores", entre eles os atores Wagner Moura e Giovanna Antonelli, a ginasta Daiane dos Santos, o jogador de vôlei Giovane e a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. O papel dessas pessoas é dar maior publicidade ao tema, atraindo a atenção do grande público para o problema. O site da entidade (www.tratabrasil.org.br) mantém vídeos com essas personalidades.

Investimentos - Os recursos para ações de saneamento vêm principalmente do orçamento da União e de financiamentos obtidos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).Segundo dados do Trata Brasil, o País investe um terço do necessário em programas de saneamento. No entanto, é importante ressaltar que o governo federal tem aumentado os investimentos nessa área.

Em 2007, o orçamento da União para o setor teve uma injeção extra de recursos por conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A verba total do PAC para programas de saneamento básico é de R$ 40 bilhões, a serem utilizados em quatro anos. Para ter acesso a esses recursos, as prefeituras e as concessionárias prestadoras de serviços de saneamento devem apresentar seus projetos de infraestrutura ao Ministério das Cidades.

O problema é que muitos municípios não fazem isso, seja por falta de vontade política, por desinformação ou por falta de condições mesmo. Por esta razão, um dos trabalhos do Trata Brasil é incentivar a população local a pressionar o prefeito. "Existem cidades pequenas que sequer têm engenheiro para fazer esse projeto", ressalta Édison Carlos. Nesses casos, o instituto recorre a parcerias com entidades como a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes) e a Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (Aesbe), que fornecem apoio técnico para os municípios.

Por conta de tais  dificuldades, Raul Pinho acredita que nem R$ 2 bilhões – dos R$ 40 bilhões do PAC – foram efetivamente gastos até hoje. O engenheiro observa que se deve levar em conta, porém, o fato de que a liberação dos recursos demora de um ano e meio a dois, e que o PAC foi iniciado há dois anos apenas.

Apesar disso, o PAC já tem mostrado resultados. Dados das pesquisas feitas pela FGV revelam que, em 2007, houve uma queda de 5% no déficit de saneamento em comparação a 2006. Se esse ritmo de desenvolvimento se mantiver, em 20 anos será possível universalizar o acesso ao serviço de saneamento no País.

Uma boa notícia é que, segundo Pinho, a atual crise econômica mundial não deve causar impacto nesse setor."Como o dinheiro vem principalmente do FGTS e do FAT, a menos que haja um desemprego muito grande, a crise não afetará o fluxo de recursos", prevê.

Empregos – Além do impacto positivo na saúde, o aumento dos investimentos na área de saneamento também gera muitos empregos. Dados do Trata Brasil mostram que cada R$ 1 milhão investido no setor gera 50 empregos diretos e indiretos. Se forem destinados R$ 10 bilhões ao ano, conforme prevê o PAC, haveria a geração de 500 mil novos postos de trabalho anuais.

É claro que uma parcela desse bolo refletirá em mais empregos para os pro-fissionais da química, acredita Édison Carlos. Ele ressalta, contudo, que o provável aumento de postos de trabalho em função dos investimentos em saneamento terá um ritmo menor se comparado ao setor de engenharia civil, por exemplo.

Mas o executivo chama a atenção para o fato de que, quando se fala em saneamento, o campo de trabalho do Profissional da Química não se limita ao tratamento de água e esgoto."Tem químico na indústria de cimento, na indústria siderúrgica, na indústria de plástico, na indústria de resinas termoplásticas etc. O químico está em todas as cadeias que envolvem os processos de tratamento de água e esgoto",salienta.

Segundo ele, o setor privado vai na carona do aumento da capacidade do governo de investir. "Nós, que estamos na indústria, dependemos também da evolução do mercado. Com a paralisação do saneamento ao longo dos anos,as empresas fabricantes de resinas plásticas, de tubos e conexões e outras voltadas para a área acabaram direcionando suas baterias para outros mercados. Conforme o saneamento vai melhorando, aumenta o fluxo de materiais necessários para garantir essa infraestrutura", finaliza o Químico Industrial.

 

Etapas de tratamento do esgosto
 

Ao deixar as casas (1), o esgoto passa pelas redes coletoras (2) e chega às estações de tratamento. O processo tem início com a passagem do fluxo por grades que barram resíduos como papel, plásticos etc (3). Após essa primeira filtragem, o esgoto é transportado para uma caixa, que retira a areia contida nele (4). Na sequência, segue para o decantador primário, onde ocorre a sedimentação das partículas mais pesadas (5). Em seguida, nos tanques de aeração (6), é fornecido ar para que os micro-organismos presentes se multipliquem e consumam a matéria orgânica, formando um lodo que, no decantador secundário (7), irá se acumular no fundo. Ao final desse processo, a parte líquida do esgoto já se encontra livre de 90% das impurezas, mas essa água não pode ser bebida, devendo ser devolvida aos rios ou utilizada para limpar ruas, regar jardins ou reaproveitada em processos industriais (8). O lodo que sobra pode ser desidratado para armazenamento em aterros sanitários ou transformado em fertilizantes.

Fonte e ilustração: Sabesp
 





Relação de Matérias                                                                 Edições Anteriores

 

Copyright CRQ4 - Conselho Regional de Química 4ª Região