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Jan/Fev 2006 

 


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Geraldo Castro: o primeiro presidente do CFQ


Químico industrial especialista em borracha, ele foi um dos
líderes da campanha pela criação dos Conselhos

A carteira de químico número um do Brasil pertenceu ao caçula de uma família de seis irmãos, nascido em 1913, no Rio de Janeiro. Trata-se do Químico Industrial Geraldo Mendes de Oliveira Castro, eleito primeiro presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), depois de, juntamente com Werner Krauledat, Carlos Eugênio Nabuco de Araújo Jr., Jorge da Cunha e outros profissionais de destaque da época, ter participado ativamente da campanha pela criação da entidade.

Sua primeira realização à frente do CFQ foi conseguir, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), onde trabalhava, a cessão de uma sala para que o CFQ pudesse iniciar suas atividades. "Se não fossem os esforços de Geraldo, dificilmente o CFQ teria sido criado naquela ocasião" disse Eloísa Mano, sua ex-colega de laboratório.

Atualmente, Eloísa é professora no Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), centro de tecnologia que leva seu nome. Ela lembra que o ex-presidente – já falecido – era "uma pessoa muito simpática, falante e com grande facilidade de comunicação".

Castro presidiu o CFQ por dois mandatos consecutivos e sempre fez questão de valorizar a importância do profissional da química como agente do desenvolvimento científico, tecnológico e social. Essa visão fica evidenciada quando se lê as primeiras linhas de um manuscrito que ele fez, na década de 1980, para apresentar uma palestra sobre borracha no Rotary Club do Rio de Janeiro, cuja cópia foi obtida pelo Informativo.

Mais de 20 anos após ter se afastado das atividades do CFQ, Castro iniciou aquele pronunciamento lembrando que "Depois de amanhã, dia 18 de junho, comemora-se o Dia do Químico. Para mim, esta data se reveste de um significado muito grande, pois representa a vitória de uma campanha liderada pelo Sindicato dos Químicos do Rio de Janeiro, do qual fui presidente por cerca de dez anos, e que culminou com a proclamação da Lei 2.800, de 18 de junho de 1956, que criou os Conselhos de Química, tendo eu tido o privilégio e a honra de ter sido o presidente do Conselho Federal de Química em seus dois primeiros mandatos".

Mais adiante, ele inicia a palestra ressaltando a importância do profissional da química para o setor: "De início, desejo destacar o papel do químico na indústria da borracha sintética e na indústria de transformação ou, como se diz mais comumente, na indústria de artefatos de borracha. Dentre as indústrias de transformação, a da borracha é, indiscutivelmente, daquelas que mais dependem da ação do químico" (sic).

Toda a carreira de Geraldo Castro foi dedicada à indústria de borracha sintética. "Ele amava esse assunto; ia a todos os congressos, dava palestras", lembra Beatriz Castro, sua filha.

Graduado em 1935 pela então Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil – hoje, Escola de Química da UFRJ –, no ano seguinte começou a trabalhar numa indústria de pneus.

Na década de 1950, foi chefe do Laboratório de Borracha e Plásticos do INT. Em 1960, integrou uma missão técnica que foi aos Estados Unidos com o objetivo de conhecer a tecnologia de elastômeros existente na época. De volta ao Brasil, coube a ele e ao colega Aluízio Alves de Araújo fazer experiências e testes com matérias-primas para fabricação de pneumáticos. Esse trabalho foi desenvolvido quando a produção de borracha sintética do país estava em fase embrionária e deu origem a uma indústria pioneira: a Companhia Pernambucana de Borracha Sintética - Coperbo.

Ele também participou do projeto de implantação da Fábrica de Borracha Sintética (Fabor), em Duque de Caxias (RJ). A constituição da empresa foi uma missão que a Petrobras recebeu em 1958 – quando Castro já presidia o CFQ – do Conselho Nacional do Petróleo. Em 1977, a Fabor foi incorporada pela Petroflex, que era uma subsidiária da Petrobras Química S/A (Petroquisa). Atualmente a Petroflex é a maior fabricante de borracha sintética da América Latina. Privatizada em 1992, a empresa passou a ser controlada pelos grupos Suzano, Braskem e Unipar.

Mas o envolvimento de Castro em questões de interesse nacional relacionadas à Química começou bem antes da criação da Coperbo e da Fabor. No final da década de 1940, ele foi convidado a integrar a subcomissão do Rio de Janeiro da Comissão Executiva de Defesa da Borracha, criada por Lei Federal pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. Entre as tarefas que desempenhou naquele grupo estavam o levantamento do perfil e da potencialidade do parque fabril nacional para fazer frente à demanda por borracha, segundo relatou o então presidente da Comissão, Cássio Fonseca, durante discurso proferido em 1979. Fonseca fazia uma homenagem ao ex-presidente do CFQ, que na oportunidade recebia o Prêmio "Isopreno de Ouro", conferido pelo Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha do Rio de Janeiro.

Um trecho do pronunciamento de Cássio Fonseca naquela cerimônia destacou até que ponto ia a disposição de Castro em contribuir para o desenvolvimento de sua área de especialização química: "... para tal concorreu sempre Geraldo Castro, como membro da subcomissão, sem qualquer compensação financeira por isso. Trabalhar nessas condições durante quase 20 anos, por amizade e puro interesse público, talvez soe incompreensível aos ouvidos dos burocratas e tecnocratas de hoje, obcecados com faturamento abundante, longe do ideal, do esprit de corps e dos sentidos de missão que nos uniam naquela época", assinalou.

Depois de 45 anos de intensa atividade, Geraldo Mendes de Oliveira Castro aposentou-se em 1981, época em que era diretor da Petroquisa. A partir de então, dedicou-se à chácara de propriedade da família, no Rio de Janeiro, até dezembro de 2004, quando faleceu. 




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