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Mar/Abr 2014 

 


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Complexos metálicos - Compostos poderão ser usados contra doenças negligenciadas


Um grupo de pesquisadores liderados pela professora Ana Maria da Costa Ferreira, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), conseguiu desenvolver complexos metálicos que, no futuro, poderão ser usados como princípios ativos de medicamentos destinados a tratar portadores de doenças como a leishmaniose e o mal de Chagas. Testes feitos em laboratório demonstraram que esses complexos foram, por exemplo, tão ou mais eficientes que o benzonidazol, principal droga usada no tratamento da doença de Chagas.

A reatividade de complexos de metais essenciais como zinco e cobre é objeto de estudos do grupo coordenado por Ana Maria desde 2001. Em 2006, sua equipe desenvolveu complexos que se mostraram eficientes para deter atividade tumoral em diversos tipos de células. A partir de 2011, o interesse pela utilização desses complexos – com algumas modificações estruturais quanto aos ligantes – no combate a algumas das chamadas “doenças negligenciadas” levou o grupo a estudar a ação sobre os parasitas Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, e o Leishmania amazonensis, que provoca a leishmaniose, por estes terem algumas características em comum. Os trabalhos nas duas frentes já geraram dois pedidos de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

                                                                                                 CRQ-IV

Ana Maria diz que os compostos deverão agir nas fases aguda e crônica da doença

O Trypanosoma cruzi foi o primeiro alvo dos testes, tanto na forma tripomastigota (injetada na corrente sanguínea humana pelo inseto-vetor barbeiro) quanto na amastigota (quando transformado nas células). Os resultados in vitro foram animadores, pois mostraram que os complexos alcançaram eficácia superior ao benzonidazol. Com uma dose 50% menor, os complexos metálicos tiveram desempenho equivalente ao do benzonidazol na eliminação do parasita. Ao mesmo tempo, a concentração que provocaria malefícios às células do doente teria que ser, em alguns casos, até doze vezes maior do que a da droga letal ao parasita. Além disso, por terem íons de elementos essenciais ao organismo, os complexos são metabolizados com mais facilidade.

“Procuramos desenvolver compostos capazes de agir com eficácia nas fases aguda e crônica da doença”, ressalta Ana Maria. O trabalho foi realizado em parceria com as pesquisadoras Leda Quércia Vieira e Grazielle Alves Ribeiro, ambas do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foram avaliados compostos baseados em cobre, vanádio e zinco. Segundo Ana Maria, o vanádio acabou não se mostrando uma alternativa tão eficaz por sua alta toxicidade para o corpo humano. “Os que mostraram melhores resultados foram o zinco e o cobre”, diz.

Contra o Leishmania amazonensis, os testes ainda se encontram em andamento, em parceria com o grupo coordenado pela professora Marcia Aparecida Silva Graminha, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista, de Araraquara. Segundo Ana Maria, já é possível verificar um potencial semelhante ao registrado contra a doença de Chagas, o que motiva os pesquisadores a continuarem desenvolvendo esses princípios ativos até para outras enfermidades semelhantes, visando um possível aproveitamento futuro por parte da indústria farmacêutica.

Anticâncer - No caso dos compostos antitumorais, os testes in vitro realizados de 2001 a 2005, durante o doutorado de Giselle Cerchiaro (veja box), que na época era orientanda de Ana Maria, provaram que os complexos metálicos de cobre e zinco provocam processos oxidativos em células cancerígenas, danificando seu DNA e, consequentemente, provocando morte fisiológica sem reação inflamatória do organismo, denominada “processo de apoptose”.

Conselheira do CRQ-IV, Ana Maria da Costa Ferreira coordena o Laboratório de Bioinorgânica, Catálise e Farmacologia do IQ-USP, que para o desenvolvimento dos compostos teve a colaboração de outros grupos de pesquisa por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Processos Redox em Biomedicina (INCT Redoxoma) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que também é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Doenças negligenciadas – De acordo com informações da Academia Brasileira de Ciências, o termo “doença negligenciada” foi criado na década de 1970 e refere-se a doenças causadas por agentes infecciosos e parasitários, como doença de Chagas, doença do sono, leishmaniose, malária, febre amarela, tuberculose, entre outras. Tais doenças tendem a ser endêmicas em populações de baixa renda, representando, portanto, um problema latente na África, Ásia e nas Américas.

A adoção do adjetivo “negligenciada” tomou como base o fato de que tais enfermidades não despertam o interesse das grandes empresas farmacêuticas para a produção de medicamentos e vacinas. Além disso, a pesquisa neste setor não conta com recursos suficientes, o que gera a escassez dos métodos de profilaxia disponíveis em todo o mundo.

 

 

Ex-aluna ganhou o Prêmio CRQ-IV

 

A Química Giselle Cerchiaro, que contribuiu com as pesquisas do grupo da professora Ana Maria da Costa Ferreira que resultaram na descoberta de complexos metálicos usados para combater cânceres, conquistou duas vezes o Prêmio CRQ-IV.

 

Em 1998, ainda na condição de aluna do curso de graduação da Universidade Estadual de Campinas, ela levou o prêmio na modalidade “Química de Nível Superior com Tecnologia”, com o trabalho “Estudos prévios para obtenção de potenciais inibidores de enzimas”, realizado sob a orientação da professora Lúcia Helena Brito Baptista.

 

A segunda conquista se deu em 2012, como orientadora do trabalho “A influência antioxidante da proteína príon celular em células de astrócitos”, de sua aluna Fernanda Rodrigues Bertuchi, da Universidade Federal do ABC (UFABC). A premiação foi concedida na categoria “Química de Nível Superior”.

 

Outro estudo ganha destaque

 

Trabalho realizado pela equipe coordenada pelo professor Adriano Andricopulo, da USP de São Carlos, e que obteve agora avanço no desenvolvimento e otimização de um conjunto de inibidores potentes da enzima cruzaína de Trypanosoma cruzi, virou manchete da edição atual do Journal of Medicinal Chemistry.


Segundo o professor Adriano Andricopulo, que é Químico Industrial e teve parte de seus feitos relatados pelo Informativo CRQ-IV em 2011, a enzima em questão é a principal cisteíno-protease do parasita. “Ela está envolvida em várias etapas do desenvolvimento do parasita, sendo considerada um alvo validado para o desenvolvimento de fármacos”, explica.

Andricopulo está otimista em relação aos resultados. “Ainda serão necessários novas etapas de estudos e pesquisas em laboratório, mas acreditamos que estamos no caminho para a descoberta de um novo fármaco eficaz para o tratamento da doença de Chagas”, diz.

(com informações da Agência USP)







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