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Uma pesquisa divulgada em
setembro do ano passado pelo jornal "The Economist" revelou
que os brasileiros estão entre os povos que mais se preocupam com a
aparência pessoal. No que se convencionou chamar de "ranking da
vaidade", o País apareceu no 7º lugar, entre os 30 pesquisados,
com uma média de vaidade entre homens e mulheres de 30%. A média
mundial foi de 23%, para mulheres, e de 16%, homens. Os Estados Unidos
ficaram em 9º lugar, com 22%. O índice se baseou no tempo que as
pessoas gastam para cuidar de sua aparência.
Mesmo pensando só em
termos de Brasil, a pesquisa pode ser vista como um indicador do
potencial de crescimento para a indústria de cosméticos no País. Na
década de 90, o consumo de cosméticos no Brasil registrou aumento de
73%, segundo dados publicados pelo jornal "O Estado de São
Paulo". Tal crescimento estimulou investimentos, que passaram de U$
1,75 bilhões (1990) para mais de U$ 4 bilhões (2000), gerando empregos
na indústria e comércio.
A maior participação da
mulher no mercado de trabalho foi fator preponderante para a alavancagem
do setor, pois o uso de produtos de beleza é geralmente necessário à
manutenção da boa aparência no ambiente empresarial. E por sua vez,
colocando tabus de lado, os homens também se tornaram grandes
consumidores de cosméticos.
Mais do que mera
manifestação de vaidade, cultivar uma boa aparência passou a ser
vista como uma demonstração de cuidados com a saúde. Além disso, a
boa apresentação pode ser fator determinante na conquista ou
manutenção do emprego.
Mercado
O mercado de cosméticos
é dominado por companhias de grande porte, mas há espaço para
empresas pequenas e até microempresas, desde que seus gestores estejam
preparados para enfrentar a concorrência e sejam criativos para
encontrar nichos pouco explorados ou até desprezados.
Por tais razões, o
desenvolvimento de um cosmético deve começar por uma pesquisa de
mercado. Em seguida devem ser identificadas as matérias-primas cujas
propriedades permitam a fabricação do produto desejado pelo
consumidor. Como exemplo, podemos citar algumas propriedades de
vitaminas usadas em produtos de beleza: vitamina A (palmitato de
retinila) - aumenta a elasticidade da pele; vitamina B5 (ácido
pantotênico) - hidrata os cabelos e aumenta a resistência à quebra;
vitamina C (ácido ascórbico) - neutraliza os radicais livres que
agridem a pele e protege contra radiação UV.
Mas apenas isso não
basta, pois o sucesso nesse mercado depende de outros cuidados. É
condição básica que a empresa conte com profissionais da química
especializados na área para garantir a qualidade e a segurança dos
produtos. Tendo um químico como responsável técnico, a empresa
precisará se registrar nos CRQs. O registro na Agência Nacional de
Vigilância Sanitária também deve ser feito.
Bons profissionais,
contudo, pouco poderão fazer se não tiverem em mãos ferramentas
tecnológicas que permitam a aplicação de seu potencial técnico. O
uso de um equipamento mal dimensionado, por exemplo, poderá causar
problemas na mistura dos componentes.
Apresentamos no quadro
abaixo a formulação típica de um banho de espuma emoliente, com a
descrição da função de cada componente utilizado.
| Banho
de espuma emoliente |
| Componente |
% em
massa |
| Água |
47,75 |
| Lauril
Éter Sulfato de Sódio |
40,00 |
| Anfóteros
Betainicos |
7,00 |
| Mono e
di-alcanolamida |
3,00 |
| Ésteres
isopropílicos |
2,00 |
| Agente
conservante |
0,20 |
| Ácido
cítrico |
0,05 |
| Corante |
qs* |
| Essência |
qs* |
Função dos
componentes da formulação:
Água : solvente universal.
Lauril Éter Sulfato de Sódio: tensoativo aniônico, promove a
formação de espuma e a limpeza.
Anfóteros Betainicos: suavizante e espessante. Tensoativo de baixa
irritabilidade.
Mono e di-alcanolamida: tensoativo não iônico , espessante,
reengordurante e estabilizante de espuma.
Ésteres isopropílicos: mantém a gordura da pele
Agente Conservante: protege a formulação contra a ação de
microorganismos.
Acido cítrico:usado para acerto de PH ou neutralização da
formulação.
Corante : fornece a coloração desejada ao produto.
Essência: aromatizante.
(*) Quantidade suficiente
Autores:
| Prof.
Dr. Hélio Wiebeck , Instituto de Química da Universidade de
São Paulo (hwiebeck@usp.br); |
Dr.
Sérgio Carvalho de Araújo, trabalha no Disque Tecnologia,
serviço de apoio a empresas mantido pela Universidade de São
Paulo (drsca@hotmail.com) |
Dr.
Adilson Santiago, engenheiro químico, é diretor da Help
Consultoria e Treinamento (adilsonsantiago@uol.com.br). |
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