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Sediada
em São Paulo, a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC) reúne
principalmente profissionais da química e farmacêuticos, mas também médicos,
biólogos e outros interessados na área. De acordo com Jadir Nunes, seu atual
presidente, a razão de ser da entidade “é a capacitação dos técnicos da área
cosmética”. A ABC é filiada à
International Federation of Societies of Cosmetic Chemists
(IFSCC), representando o Brasil naquela entidade, que congrega organizações
de 45 países.
A associação foi fundada em 10 de abril de 1973 por um grupo de
profissionais da indústria e professores da Universidade de São Paulo (USP).
Bruno Carlos de Almeida Cunha, professor da USP, e os profissionais da
indústria Henrique Valfré e Miguel Malato foram nomes que se destacaram no
movimento, que foi influenciado pela criação da Associação Argentina de
Químicos Cosméticos, ocorrida dois anos antes.
O 2º Congresso Latino-Americano de Cosmetologia em São Paulo, no ano de
1975, foi não só a primeiro grande evento organizado pela ABC, como também o
mais importante que o Brasil havia sediado até então nessa área, segundo
avaliação do Engenheiro Químico Carlos Alberto Trevisan, que é conselheiro
do CRQ-IV e presidiu a ABC de 2001 a 2005.
Já em seus primeiros anos, a entidade começou a criar grupos de trabalho
para dar suporte à elaboração de guias orientativos e respostas às consultas
que recebia sobre a regulamentação do setor pelos órgãos governamentais. Um
dos primeiros grupos foi o de higiene oral. Atualmente, os grupos
permanentes são os de microbiologia e fotoproteção.
A importância e influência da ABC já eram reconhecidas poucos anos após a
sua fundação. Trevisan lembra que, em 1976, a entidade participou da
elaboração da Lei 6.360/76, que dispõe sobre a vigilância sanitária no País,
e do Decreto 79.094/77, que a regulamentou. “Em função de seu prestígio, a
associação sempre foi fonte de consulta para a regulamentação do setor”,
salientou. Assim continuou após a criação da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), em 1999, órgão que vem auxiliando no trabalho de
harmonização das legislações no âmbito do Mercosul.
Com o objetivo de promover a difusão da tecnologia, desde 2005 a ABC promove
o curso de pós-graduação em Gestão da Cosmetologia, com foco em
desenvolvimento de produtos. Na cidade de São Paulo, o curso é realizado em
parceria com a Faculdade Montessori (Famec) e, em Curitiba/PR, com o
Instituto de Capacitação e Especialização - Equilibra. Além destes, promove
vários treinamentos de curta duração, possuindo até um convênio com a Anvisa
para capacitação dos técnicos dessa agência. As aulas práticas de todos os
cursos são realizadas na sede da ABC, que possui um laboratório dividido em
três alas: estabilidade, físico-química e desenvolvimento. Há, também, um
Centro de Pesquisa que, além do acervo físico, conta com uma integração ao
Banco de Dados da IFSCC.
O presidente Jadir Nunes diz que a grande marca da ABC é o Congresso
Brasileiro de Cosmetologia, cuja 22ª edição ocorreu em maio deste ano. O
evento congrega pesquisadores de universidades e indústrias, apresentando
desde trabalhos científicos até novidades em matérias-primas. Paralelamente,
ocorre a feira FCA Cosmetique, segunda maior do mundo em número de
participantes. O congresso ocupa a mesma posição no ranking mundial.
Em 2013, quando a ABC completará 40 anos, será realizado pela primeira vez
no Brasil o congresso mundial da IFSCC. “Com a conferência de 2013,
colocaremos a ABC definitivamente no cenário mundial”, comemora Nunes.
Confraternização
-Além daquelas de cunho técnico, a associação também promove ações para
confraternizar seus associados, como o jantar anual e o torneio de futebol.
Organiza, ainda, happy hours em datas comemorativas como o Dia
Internacional da Mulher e o início da primavera. Um desses encontros ocorreu
em 18 de junho, Dia do Profissional da Química, na sede do CRQ-IV.
Conforme divulgado no Informativo, o evento foi
precedido de uma série de palestras técnicas.
Foi também na sede do CRQ-IV que a ABC realizou, em 10 de abril deste ano, a
cerimônia comemorativa dos seus 35 anos. Na oportunidade, foram homenageados
os ex-presidentes da associação, entre eles os seguintes profissionais da
química: Rubens Paulo Becker, Artur João Gradim, Linda Cristina de Oliveira,
Rubens Brambilla (conselheiro suplente do CRQ-IV) e o próprio Trevisan. Para
celebrar a data, a entidade criou uma logomarca que está sendo usada em
todas as suas correspondências. Além disso, sua sede está sendo reformada
para ampliação dos laboratórios e do auditório.
Vantagens - Quem é associado da ABC pode participar dos grupos de estudos e
usufruir do Centro de Pesquisas da entidade. Também tem acesso a informações
do setor por meio de newsletters e da revista Cosmetic & Toiletries, que são
enviadas gratuitamente. A revista publica a seção ABC News, com notícias,
trabalhos e outras iniciativas da associação. Além disso, o associado tem
direito a desconto em todos os cursos de capacitação promovidos pela
entidade.
Para quem deseja se associar, basta preencher o formulário disponível no
site
www.abc-cosmetologia.org.br. O investimento é de R$ 40,00 por
bimestre. Empresas podem se associar na qualidade de benfeitoras. A adesão
também deve ser feita pelo site e a taxa é de R$ 150,00 por mês. Atualmente,
a associação agrega cerca de 800 profissionais e 200 empresas. |
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O atual presidente da ABC, Jadir Nunes, é
farmacêutico-bioquímico, formado em 1986 pela Universidade de São Paulo. Seu
ingresso na área cosmética se deu quando ainda cursava a graduação e foi
contratado pela Johnson & Johnson para trabalhar com o desenvolvimento de
produtos para higiene oral. Lá permaneceu por 14 anos, período em que fez o
mestrado (1991) e o doutorado (1996), ambos focados em produtos para higiene
oral.

Quando deixou a empresa, passou a trabalhar no desenvolvimento de produtos
para a pele, principalmente protetores solares. A primeira empresa em que
atuou nessa área foi a Shering Plough, sediada no Rio de Janeiro/RJ, onde
ficou por dois anos. De volta a São Paulo, assumiu a gerência de Pesquisa &
Desenvolvimento da Natura.
Nunes também passou por duas empresas fornecedoras de matérias-primas para
cosméticos: a Chemyunion e a Arch Química do Brasil. Trabalhou, ainda, com
avaliação de segurança e eficácia, na Evic do Brasil. Há quatro anos, voltou
para a pesquisa e desenvolvimento e é diretor dessa área nos Laboratórios
Stiefel, empresa sediada em Guarulhos e que produz medicamentos e cosméticos
para a pele.
Ele conta que encarou a área cosmética como um desafio. Segundo afirmou, no
início da década de 1990, muitos a consideravam desprovida de embasamento
científico. “O que me atraiu foi mostrar que é possível desenvolver
cosméticos com qualidade e com ciência”, explica o presidente da ABC.
Nunes ingressou na associação na década de 1990. Em 1999, passou a integrar
a diretoria da entidade e, em 2005, assumiu a presidência. Está no segundo
mandato e deve permanecer no cargo até abril de 2009.Ele faz questão de
destacar que os membros da diretoria, inclusive o presidente com não são
remunerados. “Nós estamos lá por amor à causa”,salienta.
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