|
O Projeto Selo de
Qualidade, que tem por objetivo reconhecer e divulgar as escolas que
formam bons técnicos de nível médio, foi apresentado dia 26 de junho pela
Câmara Técnica de Ensino Médio do CRQ-IV a diretores e coordenadores de
cursos de nove escolas da capital e interior de São Paulo. Estas já estão
participando da fase que se destina a aperfeiçoar o programa. O lançamento
oficial desta iniciativa será dia 11 de agosto, durante a cerimônia que
comemorará os 50 anos de instalação do Conselho.
Ao fazer a abertura daquela
reunião, o Engenheiro Manlio de Augustinis, presidente do Conselho, disse
que a entidade está preocupada em estabelecer mecanismos que assegurem a
qualidade da formação dos futuros profissionais da química. Por isso, após o
Fórum de Ensino Técnico que promoveu em 2004, foi decidida a criação de um
instrumento que estimulasse as escolas a aprimorarem seus cursos e mostrasse
à sociedade quais as instituições que estão comprometidas com a qualidade de
ensino. Nascia ali a idéia de instituir um Selo de Qualidade. “A nossa
preocupação não é só com o nível médio. Começaremos por ele, mas pretendemos
levar o Selo também nos cursos de nível superior”, ressaltou Augustinis.
A Câmara Técnica de Ensino
Médio trabalhou por mais dois anos até chegar aos critérios de avaliação
pelos quais as escolas terão de passar para obter o selo. Os parâmetros
foram definidos após estudos de vários métodos, inclusive o do Ministério da
Educação. Imediatamente após a sua apresentação, o projeto começou a ser
testado em escala piloto nas instituições em que atuam os membros da Câmara
Técnica: Colégio Alem (Rio Claro), Colégio Ateneu Santista (Santos), Escola
Técnica de Química de Luiz Antônio (Luiz Antônio), ETE Conselheiro Antônio
Prado (Etecap - Campinas) e Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura –
Fiec (Indaiatuba). A equipe quis que o projeto também fosse submetido a
escolas que não participaram de sua elaboração. Assim, também estão testando
os critérios de avaliação: a ETE Trajano Camargo (Limeira), a Escola Técnica
Oswaldo Cruz (São Paulo), o Senai Luiz Simon (Jacareí) e o Senai Mário Amato
(São Bernardo do Campo).
Para a assessora técnica do
CRQ-IV Ligia Maria Sendas Rocha, que participou da elaboração do projeto, a
opinião das escolas será fundamental para os ajustes finais. A previsão é de
que todas as instituições de ensino possam se candidatar a receber o Selo de
Qualidade já em 2008.
Uma vez que o Conselho não
tem competência legal para interferir nas escolas, o Selo de Qualidade não
será obrigatório. O conselheiro Paulo César de Oliveira, membro da Comissão
de Ensino Técnico e diretor da Etecap, explicou que a proposta do selo é
gerar uma competição positiva entre as escolas: a concorrência pela
qualidade. Os nomes das instituições que obtiverem o Selo serão divulgados
em todas as mídias editadas pelo CRQ-IV, o que servirá de estímulo (e
alerta) para que os estudantes optem pelas melhores instituições. Por sua
vez, as próprias escolas poderão usar a conquista do Selo de Qualidade com
um diferencial em suas estratégias de marketing.
Como funcionará – Quando a
fase de testes terminar e os subsídios colhidos forem aplicados na
formatação do projeto – o que deverá ocorrer até o final deste ano –, o
Conselho disponibilizará em seu site um documento com os parâmetros a serem
analisados para a concessão do Selo de Qualidade. As escolas interessadas em
obtê-lo deverão se utilizar do documento para fazer uma auto-avaliação,
atribuindo-se conceitos de 1 a 5. Esta auto-avaliação lhes dará a
oportunidade de identificar e corrigir previamente os pontos que estejam em
desacordo com os padrões definidos pelo Conselho. Isso permitirá que se
candidatem ao selo somente quando se julgarem aptas a obtê-lo.
Quando superarem aquela
etapa, as instituições de ensino encaminharão ao CRQ-IV sua auto-avaliação,
acrescida dos documentos que a embasem. O Conselho nomeará uma Comissão
Central de Qualificação (CCQ) para avaliar o material enviado. Em seguida,
representantes da CCQ farão uma auditoria nas instalações das escolas. Se em
qualquer momento do processo forem identificados problemas que impeçam a
instituição de receber o selo, a CCQ fornecerá todas as orientações
necessárias para corrigi-los.
Ao fazer a apresentação do
projeto, o conselheiro Paulo César de Oliveira explicou que os onze itens a
serem avaliados foram agrupados em três categorias: (1) Organização
didático-pedagógica, (2) Corpo docente, corpo discente e corpo
técnico-administrativo e (3) Instalações físicas. No primeiro item, serão
analisados, por exemplo, o projeto pedagógico, a flexibilidade do currículo
e os mecanismos de acompanhamento de atividades práticas e estágios, além da
formação, experiência e dedicação do coordenador do curso. No que diz
respeito à equipe da instituição de ensino, não será considerada apenas a
titulação e experiência dos professores, mas também a qualificação dos
funcionários técnico-administrativos e os mecanismos criados para
nivelamento dos alunos. No grupo instalações físicas, os auditores não
observarão apenas a estrutura de ambientes como o laboratório e a
biblioteca, mas também a sua efetiva utilização. O projeto ainda prevê
avaliações feitas pelos ex-alunos e pelas empresas que os empregam.
A CCQ atribuirá conceitos que
variam de 1 a 5 para cada um dos 11 itens avaliados. Para receber o selo, as
escolas não poderão ter nenhum conceito 1 e seu aproveitamento mínimo deverá
ser de 80%. Importante destacar que o selo será conferido por curso e não
por escola. Assim, instituições que oferecem mais do que uma formação na
área química poderão receber o selo para apenas algumas delas.
As escolas que obtiverem o
Selo de Qualidade serão periodicamente reavaliadas e poderão perdê-lo se
deixarem de atender às exigências do programa. |
|
Professores apóiam a iniciativa
Na opinião do diretor do
Senai de Jacareí, Domingos Gonçalves da Costa Neto, a proposta de avaliação
de cursos do CRQ-IV é coerente e está alinhada com certificados de qualidade
reconhecidos, com os do Sistema ISO. “Nossa escola já é candidata”, adianta.
O coordenador do curso de
Técnico em Química das Faculdades Oswaldo Cruz, Laércio Marques Machado,
aprovou a auto-avaliação proposta pelo CRQ-IV como primeiro passo para a
solicitação do selo de qualidade. “Isso vai fazer com que nós mesmos
lancemos um olhar crítico sobre os nossos cursos”, opinou. O professor diz
que a iniciativa também tem como mérito a criação de um referencial para que
o público saiba quais escolas estão comprometidas com a boa formação do
Profissional da Química.
A diretora do Senai Mário
Amato, Silvia Helena Carabolante, acredita que o Selo de Qualidade fará com
que as escolas invistam constantemente em melhorias, uma vez que passarão
por avaliações periódicas para mantê-lo. Para ela, o investimento em
infra-estrutura e na qualificação do corpo docente será o principal desafio
para os que quiserem obter e manter seus cursos com reconhecimento de
excelência pelo Conselho.
Na opinião da diretora do
Colégio Ateneu Santista, Edna Regina da Silva, o Selo de Qualidade CRQ-IV
será um reconhecimento para as escolas que investem na qualidade da formação
de seus alunos, além de ser uma maneira de desestimular o surgimento de
cursos que não tenham tal comprometimento. “Isso é importante principalmente
na área química em que um pequeno deslize do técnico pode ser fatal”,
ressalta. |