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Copa 2006 - Como a Química ajuda os atletas que estão na Alemanha


Os uniformes dos times que participam da Copa do Mundo de Futebol deste ano são verdadeiras vitrines para o avanço da química aplicada à tecnologia têxtil. A camisa que veste a seleção brasileira na disputa pelo hexacampeonato, por exemplo, pesa 50% menos do que a usada pela equipe tricamapeã em 1970. O uniforme da Inglaterra, por sua vez, possui partículas de prata em suas fibras, o que proporciona maior conforto no contato do tecido com a pele dos atletas.

O desenvolvimento de tecidos para a prática de esportes em ambiente externo, como é o caso do futebol, deve levar em conta em primeiro lugar a condução do suor, ou seja, sua absorção do corpo e, posteriormente, eliminação, ensina o Técnico Têxtil José Favilla. Consultor da tecelagem Santaconstancia, de São Paulo, ele explica que as fibras naturais, como o algodão, absorvem o suor, mas este fica impregnado na roupa, tornando-a mais pesada e, por isso, comprometendo o desempenho do atleta.

Fios sintéticos como o poliéster e a poliamida, hoje são capazes de eliminar suor e calor, mas nem sempre foi assim. Criadas na metade do século passado como alternativa às fibras naturais, no início as roupas produzidas com matéria-prima sintética tinham a desvantagem de reter muito calor e umidade. A solução para este problema surgiu com as microfibras, lançadas há cerca de 15 anos. Justamente por serem mais finas, quando empregadas na composição do fio, as microfibras criam mais espaços dentro dele, facilitando o fluxo de ar, umidade e calor.

Recentemente, a indústria têxtil descobriu uma maneira de aprimorar ainda mais tal propriedade: a substituição do formato circular das microfibras por desenhos semelhantes a pinos de boliche. Sobrepondo-se fios disformes, é possível construir canais de ventilação por onde a umidade e a temperatura podem fluir, explica Cosmo Burti, professor do curso técnico têxtil do Senai Francisco Matarazzo, da capital paulista.

Para a prática de esportes em países de clima tropical como o Brasil, a poliamida é o material mais apropriado para a confecção das roupas, diz o Técnico José Favilla. Entre as razões, o consultor da Santaconstancia ressalta sua eficiência na secagem e no transporte de calor e umidade. A Engenheira Têxtil Flávia Queiroz, da Rodhia Poliamida, destaca ainda o caimento, a praticidade e a agradabilidade do material no contato com a pele.

Além dos fios sintéticos, há outras tecnologias que dão uma forcinha a mais aos atletas. É o caso das bermudas de compressão utilizadas pelos jogadores de futebol. Segundo o Bacharel Evaldo Turqueti, gerente de desenvolvimento da Santaconstancia e presidente da Associação Brasileira dos Químicos e Coloristas Têxteis (ABQCT), essas bermudas diminuem os efeitos dos esforços decorrentes da prática esportiva, retardando a fadiga muscular e melhorando a percepção que o atleta tem de seu corpo no espaço. Um elastano que garantisse a compressão e ao mesmo tempo permitisse a condução da umidade e do calor foi especialmente desenvolvido para essa finalidade.

Para quem se expõe ao sol na prática de esportes, a tecnologia química concebeu um fio que aumenta o bloqueio dos raios ultravioletas, causadores do câncer de pele. “Alguns agentes químicos podem aumentar a proteção, como é o caso do dióxido de titânio”, comenta o presidente da ABQCT. A Engenheira Flávia Queiróz conta que, em 2005, a Rhodia, em parceria com uma confecção, produziu os uniformes do São Paulo Futebol Clube com a tecnologia de proteção ultravioleta agregada ao fio.

Há cerca de dois anos, também já estão disponíveis no mercado os fios com efeito bacteriostático, que controlam a população de bactérias geradoras dos maus odores do corpo. Antes deles, já havia tecidos com função bactericida. Esse efeito, porém, era resultado de um tratamento superficial e, por isso, desaparecia com o uso. Já a propriedade bacteriostática - que foi desenvolvida por técnicos brasileiros e franceses -, é obtida com adição de substâncias químicas que se incorporam ao fio, o que garante sua permanência na roupa mesmo depois das lavagens.

O setor têxtil, valendo-se da nanotecnologia, também produz fios capazes de liberar no corpo produtos como cremes hidratantes, perfumes, protetores solares e medicamentos. Eles são acondicionados em microcápsulas incorporadas à estrutura molecular das fibras e liberados em condições pré-determinadas. As nanocápsulas de perfume, por exemplo, se rompem a uma determinada temperatura, explica Cosmo Burti, do Senai.

Além de desenvolver produtos que garantem maior conforto ao usuário, o setor pesquisa novas matérias-primas sintéticas, uma vez que hoje elas são produzidas a partir de uma fonte não-renovável: o petróleo. As atenções estão voltadas aos chamados biotêxteis, que são fibras produzidas a partir de soja, milho, amendoim e outras plantas. No Senai Francisco Matarazzo, pesquisas desenvolvidas em parceria com empresas estão permitindo a obtenção de fibras originadas de folhas de bananeira, garrafas PETs, pêlos de cachorro e restos de jeans.

Uma dica para quem estiver interessado em saber mais sobre os novos materiais que a indústria têxtil está desenvolvendo é ler a edição de março de 2006 da revista “Química Têxtil”. A publicação pode ser baixada pelo site da ABCT.

 
A vedete dos gramados também evoluiu

O desenvolvimento de materiais químicos ao longo dos anos melhoram a performance do grande símbolo da Copa do Mundo de Futebol: a bola. Até o torneio da Argentina, em 1978, elas eram feitas com capotão de couro de boi. Isso era um problema porque, nos dias de chuva, elas encharcavam, ficavam pesadas e inviabilizavam lances mais arrojados. Essa deficiência estrutural fazia, ainda, com que a pelota perdesse sua principal característica: ser redonda. Talvez seja até esta uma das razões das jogadas bizarras que aconteciam naqueles dias.

A partir daquele mundial, as bolas passaram a ser confeccionada em poliuretano, o que não apenas solucionou o problema dos dias de chuva, como também permitiu que seu peso fosse reduzido. A bola da Copa de 1978, que em homenagem ao país-sede recebeu o nome de Tango, também já apresentava o fechamento da abertura da câmara de ar feito com costuras internas. Um alívio para os jogadores que, anteriormente, se arriscassem cabeçadas poderiam se machucar com as costuras que ficavam expostas.

Produzida pela Nike, a bola utilizada neste ano na Taça Libertadores da América e a Copa Sulamericana possui não só impermeabilidade e leveza, mas também melhor aerodinâmica, o que reduz seu atrito com o ar e lhe permite alcançar maiores velocidades. Sua estrutura e estabilidade foram aprimoradas, com a adição de uma camada de tecido de poliéster.

Um poliuretano alifático especial aplicado como revestimento dos três formatos de gomos - tecnologia desenvolvida pela Bayer -, é uma das características da bola lançada pela Adidas para Copa da Alemanha. A vedete do mundial ainda possui uma camada de espuma de poliuretano sintético, o que permite aos jogadores (pelo menos aos craques) mais controle e precisão nos dribles e chutes.




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