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Fosfoetanolamina - Governo retoma testes com a "pílula do câncer"; SP abre CPI


Iniciadas em 2015, as pesquisas com a fosfoetanolamina sintética (conhecida como a “pílula do câncer” ou simplesmente "fosfo") patrocinadas pelo Governo Federal entrarão em uma nova etapa com a confirmação, em outubro, de testes clínicos em humanos a serem feitos pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC). Até o fechamento desta edição, no entanto, não haviam sido divulgados detalhes nem prazos. Ano passado, o NPDM elaborou laudos técnicos sobre ensaios pré-clínicos in vitro e em testes com animais envolvendo a substância.

SBT/Internet

Cioffi: mudança facilitará captação de recursos

A retomada dos estudos foi antecipada pelo Instituto Viva Fosfo, organização que reúne apoiadores da liberação da substância para ser utilizada como um medicamento. Em vídeo publicado em setembro, a então presidente do Instituto, Bernadete Cioffi, disse que a medida era importante porque, pela primeira vez, será possível fazer uma avaliação farmacocinética, ou seja, uma investigação sobre o percurso que a substância faz no organismo, desde a ingestão, passando pela absorção e transformação, até a sua eliminação.

Arquivo

Durvanei apontou falhas no protocolo do Icesp

Portadora de câncer há mais de cinco anos, ela afirma ter melhorado significativamente depois que passou a se tratar com a fosfo, quando a doença já havia evoluído para metástase. No mesmo vídeo, Cioffi anunciou que a presidência do Viva Fosfo passaria a ser ocupada pelo Químico Gilberto Chierice, líder da equipe do Instituto de Química da USP de São Carlos (IQSC-USP) que, nos anos 1990, pesquisou e sintetizou a fosfoetanolamina.

Além da inclusão do nome do Químico em sua denominação, a entidade também passará a atuar na área de pesquisa, cuja direção será feita pelo imunologista Durvanei Augusto Maria, pesquisador do Instituto Butantan e integrante do time de Chierice. Até então, o instituto concentrava suas atividades apenas na assistência a pacientes. Essa mudança, ressaltou Bernadete Cioffi, será importante por duas razões. A primeira é que, a partir de agora, o instituto terá total controle dos protocolos de pesquisa clínica. Os estudos serão feitos não só com a fosfoetanolamina, mas também com outros potenciais fármacos pesquisados pela equipe de Chierice. A segunda razão é que a nova configuração habilitará o instituto a receber financiamento externo para a realização das pesquisas.

CPI – Em 25 de outubro, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para entender os motivos da suspensão, anunciada em março, dos testes com a fosfoetanolamina patrocinados pelo governo paulista e que estavam sob a responsabilidade do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Durante a instalação da CPI, Chierice reiterou que a substância começou a ser testada ainda em meados dos anos 1990, com base em protocolos aprovados pelo Ministério da Saúde (confira o vídeo abaixo), uma vez que, na época, a Anvisa ainda não existia. Os resultados desses testes, contudo, nunca foram divulgados.



No dia 22 de novembro compareceu à CPI o imunologista Durvanei Augusto Maria, que apontou falhas nos procedimentos adotados pelo Icesp. “Nós [auditores] acompanhamos apenas os prontuários dos pacientes; em momento nenhum houve reuniões para discutir os resultados obtidos ao longo da pesquisa. Se não houve esses encontros, não haveria como ter resultados positivos”, justificou. A participação dos autores teria começado apenas na segunda fase do estudo, quando os tipos de tumores e pacientes já haviam sido determinados e não era mais possível interceder nos métodos.

POLÊMICA – Em depoimento concedido em setembro ao Boletim SBQ, da Sociedade Brasileira de Química, o professor e pesquisador Luiz Carlos Dias – vencedor da edição 2014 do Prêmio Walter Borzani, promovido pelo CRQ-IV – criticou a comercialização da fosfoetanolamina na forma de suplemento alimentar. Fabricados nos Estados Unidos, esses produtos chegam ao Brasil através de importação feita diretamente pelo consumidor.

Arquivo

 

Dias: suplementos vindos dos EUA têm impurezas

O pesquisador coordenou os estudos, custeados pelo Governo Federal, destinados a analisar os componentes da fosfo produzida no IQSC-USP. Realizados no Laboratório de Química Orgânica Sintética (LQOS) do Instituto de Química da Universidade de Campinas, os resultados, divulgados em março de 2016, mostraram que a substância apresentava expressivo grau de impureza.

Dias relatou que o LQOS, pelo qual responde, testou cápsulas de fosfoetanolamina vendidas como suplemento alimentar por dois fornecedores americanos: Cardan Wellness/Life’s Pharma, que fabrica o produto “Phosphoethanolamine+Plus”, e Quality Elements, que produz a “PhosphoEthanolamine”. “As análises permitiram afirmar que as cápsulas têm os mesmos componentes daquelas produzidas pelo IQSC-USP, mas em diferentes proporções e contendo até mais impurezas”, disse.

O produto fornecido pela Quality Elements teve a produção supervisionada pelo bioquímico Marcos Vinícius de Almeida e pelo médico Renato Meneguelo, ex-integrantes do grupo liderado por Chierice. Os dois se desentenderam com o professor aposentado do IQSC-USP porque este era contrário ao lançamento do composto como suplemento alimentar, insistindo que fosse reconhecido como um fármaco.

Já o suplemento distribuído pela Cardan Wellness, que até então era desconhecido por aqui, chegou às mãos de Luiz Carlos Dias por meio de uma pessoa que o procurou pedindo que o analisasse. O solicitante alegou que seu interesse pelo produto era pessoal. A Cardan Wellness, segundo informa em seu site, é uma empresa de logística baseada na Flórida (EUA). Já a Life’s Pharma, dona da marca “Phosphoethanolamine+ Plus”, seria, também de acordo com o site da Cardan Wellness, uma divisão da “Ecadil Corporation, uma empresa brasileira com sólidas raízes alemãs na área farmacêutica”.

Aliás, uma foto publicada no Facebook dessa distribuidora informa que o produto é “made in Brazil”. Numa tradução livre, o mesmo texto diz que o País foi “o lugar de nascimento da fosfoetanolamina sintética, onde milhares de pessoas têm desfrutado dos benefícios de uma melhor qualidade de vida e longevidade usando o produto”. O texto assegura que a Life’s Pharma sintetizou a forma mais pura dessa “classe farmacêutica”.


Facebook

"Fosfo" da Life's Pharma tem tecnologia brasileira

 

A Ecadil possui duas divisões no Brasil: a primeira, sediada em Cosmópolis, produz matérias-primas para indústrias de diversos segmentos (como o cosmético); a segunda, que teve o nome alterado para Glatt Medicamentos Genéricos Ltda., está localizada em Limeira e atua na área de Química Farmacêutica.

Procurado pelo Informativo, José Antonio Costabile, diretor da Ecadil, confirmou a ligação, mas salientou que a Phosphoethanolamine+Plus é fabricada pela Ecadil USA, companhia constituída com sócios daquele país. Observou, contudo, que a patente de formulação e a tecnologia envolvida no processo produtivo foram desenvolvidas pela empresa brasileira.

Segundo ele, o registro da patente, feito pela Ecadil tanto aqui quanto nos EUA, é distinto daquele desenvolvido pelo grupo do IQSC-USP. A síntese da fosfoetanolamina utilizada no suplemento distribuído pela Cardan Wellness se baseou em uma patente registrada nos anos 1950 pela britânica Glaxo e que hoje é de domínio público. Costabile ressaltou também que a produção é feita nos EUA por ainda não haver, no Brasil, uma regulamentação específica por parte da Anvisa que permita a fabricação de um suplemento alimentar à base de fosfoetanolamina.

Questionado sobre as divulgações feitas na página do Facebook mantida pela Cardan Wellness, que sugerem uma potencial ação do suplemento no combate ao câncer, o diretor da Ecadil alegou que as postagens são de exclusiva responsabilidade da distribuidora americana. “Na rotulagem, são ressaltados apenas os benefícios de cada componente em termos gerais, ou seja, não se fala em tratamento de nenhuma doença”, concluiu.





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