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Artigo - Ora bolas! Não é que o futebol também depende da Química?
Autor: Vera Regina L. Constantino


Adidas

“Como a senhora explicaria a uma criança o que é felicidade?
Eu não explicaria. Rolaria uma bola em sua direção!”
Dorothee Solle (teóloga alemã)

Uma das principais estrelas da Copa do Mundo de Futebol de 2010 foi a Jabulani, a bola oficial da Fifa. A redondinha Jabulani, que na língua zulu significa “celebração”, foi alvo de crítica dos jogadores, principalmente dos goleiros. A Jabulani parecia ter vontade própria, provocando erros nos gramados. A bola da vez é a Brazuca, apresentada no final de 2013 como a bola oficial da Copa do Mundo que ocorrerá no Brasil em junho deste ano.

Se olharmos para a história das Copas, veremos o quanto a bola foi modificada desde a primeira competição, em 1930. Naquele ano, no Uruguai, foi usada uma bola de couro de animal costurada com cadarço e um tanto irregular em sua forma. Quando o Brasil venceu as Copas de 1958, 1962 e 1970, as bolas ainda eram de couro, mas já se observava uma evolução em sua forma.

Telstar50.org

Satélite Telstar deu nome à bola da Copa de 1970

Em 1970, na Copa do tricampeonato brasileiro, apareceu a Telstar, primeira bola branca com alguns gomos pretos para melhor visualização, já que os jogos passaram a ser transmitidos ao vivo pela TV. Aquela bola foi batizada com o mesmo nome do satélite usado para a transmissão dos jogos, que, coincidentemente, possuía forma esférica e painéis solares que lembravam uma bola de futebol.

Em 1970, a Adidas passou a ser a patrocinadora oficial da Copa do Mundo da Fifa e, desde então, se tornou responsável pela confecção das bolas. Telstar Durlast foi a bola oficial da Copa de 1974, na Alemanha, e tinha como principal característica absorver menos água que sua antecessora.

Em 1978 surge, na Copa da Argentina, a bola Tango, que foi sucedida em 1982, na Espanha, pela Tango España, a primeira feita de uma mistura de couro e material sintético. Os pesquisadores buscavam eliminar o principal problema com o couro: o fato de esse material absorver muita água. Em partidas realizadas sob chuva, a bola ficava pesada, difícil de ser controlada e os jogadores, mais sujeitos a se machucarem, principalmente em jogadas de cabeceio. Outra motivação para encontrar um material alternativo era a constatação de que o formato da bola de couro se modificava ao longo da partida.

A primeira bola inteiramente sintética entrou em campo na Copa de 1986, no México, e recebeu o nome de Azteca. No campeonato seguinte, em 1990, na Itália, a bola chamada Etrusca também foi confeccionada com fibras totalmente sintéticas e importantes modificações foram feitas para torná-la mais resistente ao desgaste e impermeável à água.

Os avanços na composição dos materiais sintéticos das bolas se estenderam para a Questra, usada na Copa de 1994, nos EUA, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato mundial. A bola colorida, chamada Tricolore, apareceu na Copa de 1998, na França. Na Copa do pentacampeonato brasileiro, em 2002, a bola Fevernova apresentava seis camadas, sendo a mais interna feita de borracha natural, material pertencente à classe dos polímeros orgânicos. A estrutura da borracha natural, ou poli(cis,1-4-isopreno), é mostrada na Figura 1.

Figura 1

Há normas muito bem definidas sobre as características de uma bola de futebol como o seu peso, a esfericidade, a taxa de perda de pressão, a porcentagem de absorção de água e o pique (ou rebote). Por exemplo, uma bola nos padrões da Fifa deve pesar entre 410 e 450 gramas e ter circunferência entre 68 e 70 cm.

O desempenho das bolas de futebol é altamente dependente dos materiais e das técnicas utilizadas na fabricação, demandando pesquisa básica para desenvolvimento de novos materiais e inovação tecnológica.

Uma bola de futebol é feita de três componentes principais: revestimento externo (ou cobertura) com gomos (ou painéis), forro e câmara de ar. Como revestimento externo, o couro natural foi substituído por polímeros orgânicos sintéticos.

Adidas

A Brazuca é revestida com apenas seis gomos idênticos, que se unem através de um processo térmico (conhecido como selagem térmica), ou seja, não há costuras na superfície. A bola da Copa de 1970 tinha, por exemplo, 32 gomos, que eram costurados à máquina ou à mão, empregando linhas de poliéster.

O uso de um número menor de gomos e a ausência de costuras propicia à bola uma forma mais arredondada e uma menor absorção de água. A inovação na simetria dos gomos da Brazuca permite ainda melhor aderência ao gramado, toque, estabilidade e aerodinâmica.

Poliuretano - O material usado na confecção dos gomos é conhecido como poliuretano (PUR), um polímero resistente e impermeável à água. Do ponto de vista químico, o PUR é constituído de unidades repetitivas provenientes da reação de um composto que contém grupos isocianato com uma substância composta por grupos hidroxila, gerando grupos uretano (-NH-COO-). Observe que se trata de uma reação química de condensação sem a liberação de moléculas de água.

Na formação da cadeia polimérica, utiliza-se um diisocianato e um diálcool, conforme mostra o esquema de formação de um esqueleto genérico de um poliuretano (Figura 2). Além do emprego na confecção de bolas de futebol, os poliuretanos são utilizados na produção de roupas de ginástica, solas de sapato, colchões, estofamento de carros e pranchas de surfe.

Figura 2


O forro localizado entre a cobertura e a câmara de ar é formado por camadas de fibras entrelaçadas de algodão e/ou poliéster, conferindo força, estrutura e repique à bola.

As câmaras de ar, antigamente feitas de bexiga de boi, hoje são confeccionadas com borracha natural ou borracha butílica. Para os jogos da Copa do Mundo, a Brazuca utilizará câmara butílica. Quimicamente, a borracha butílica é um copolímero formado pela reação de isobutileno (aproximadamente 98%) e isopreno (cerca de 2%), gerando um material com alta impermeabilidade a gases e boa resistência ao calor .

Como se vê, a Química e seus profissionais trabalham duro fora do campo para que a atuação dos jogadores seja, de fato, um espetáculo aos olhos do torcedor.


Fontes:

Bacharel em Química e integrante da Comissão de Divulgação do CRQ-IV, a autora é professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, onde ministra aulas de Química Inorgânica e Química de Materiais.

Contatos pelo e-mail vrlconst@iq.usp.br.





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