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Alcídio Abrão - Conselho Regional de Química - IV Região

Alcídio Abrão 

 


Alcídio Abrão - Um grande amigo, pesquisador criativo, cientista emérito
 
Texto produzido pelo Conselheiro do CRQ-IV Waldemar Avritscher por ocasião do falecimento do Bacharel Alcídio Abrão (18/8/1925- 3/3/2011).
 
Dr. Alcídio foi, sem dúvida, uma pessoa singular. Professor, pesquisador e amigo.  Influenciou mais de uma geração de pesquisadores, tendo orientado mais de sessenta mestres e doutores.
 
Paulista de São José da Bela Vista, já no ginásio ficou admirado com as aulas sobre eletrólise que um professor lhe ensinava. Seu encantamento pela química já havia começado.  Quando terminou o ginásio em Franca, veio estudar em São Paulo. Graças aos seus conhecimentos nas matérias e em datilografia, fazia apostilas das aulas e as vendia aos seus colegas, para ajudar no seu sustento na capital. Fez o colégio e em seguida entrou na faculdade.
 
Dr. Alcídio formou-se em 1951 na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.   De 1952 a 1957 trabalhou como pesquisador nas Indústrias Químicas Orquima S.A., que na época fazia a solubilização da monazita para obtenção de terras raras. Como subproduto obtinha-se urânio e tório. Iniciando suas pesquisas com urânio em 1953, ajudou na montagem de uma instalação para a produção de “yellow-cake”, inaugurada em 1954.  . Atuou na produção em escala piloto de elementos de terras raras; pesquisa e produção de óxido de európio para uso nuclear; métodos analíticos para determinação de európio; estudo de processos para aproveitamento de terras raras, tório, urânio, lítio, tântalo, tungstênio e nióbio em minérios; desenvolvimento de métodos para a determinação de lítio em ambligonita e em compostos de lítio preparados industrialmente no país.  Assim iniciou suas pesquisas com urânio em 1953, ajudando na montagem de uma instalação para produção de “yellow-cake” inaugurada em 1954.

Em 1956 com o inicio da construção do primeiro reator no país foi convidado em 1957 para vir trabalhar como pesquisador da Divisão de Radioquímica, no IPEN, naquele tempo chamado de Instituto de Energia Atômica (IEA). Com seu conhecimento em resinas de troca iônica, colaborou para encher a piscina do reator com água desmineralizada. Foi na Radioquímica, onde ficou até 1965, que começaram seus trabalhos na área do ciclo do combustível nuclear.

Participou ativamente da construção da Divisão de Engenharia Química, da qual assumiu a chefia em 1965.   Entre suas realizações destacam-se as duas plantas piloto para a transformação de compostos de urânio em produtos de alta pureza, entre 1965 e 1968, dando início ao Ciclo do Combustível Nuclear. Nesta tarefa foi auxiliado pela equipe do Engenheiro José Monteiro França Júnior e pelo grupo analítico sob a chefia da Dra. Ludmila Federgrün. Em 1970 inaugura a Usina de Purificação de Tetrafluoreto de Urânio.
 
Em entrevista para o jornal Órbita Ipen, em 2003, Alcídio comentou sobre o desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear. "Tudo começou pequeno e depois foi crescendo. Projetamos e construímos unidades para a produção de diversos compostos de urânio, necessários para o seu processo de enriquecimento isotópico. Fomos pioneiros no Brasil a desenvolver a complexa tecnologia do flúor, uma condição necessária para conseguirmos a tecnologia de fabricação do hexafluoreto de urânio. Repassamos toda esse conhecimento, essencial para o enriquecimento do urânio, para a Marinha. Geramos várias patentes. Pode-se escrever um belo livro sobre a historia do desenvolvimento científico e tecnológico feito no Ipen. Uma verdadeira epopéia."
 
Na mesma entrevista, o pesquisador demonstrava uma extrema dedicação à carreira  "A gente vai avançando sem deixar morrer o estímulo. Agora, por exemplo, estamos procurando desenvolver hidrogênio para as pesquisas que o Ipen vem realizando para a célula a combustível. Hoje, sou coordenador de um projeto apoiado pelo CNPq para introduzir melhorias na obtenção de hidrogênio."

Entre 1993 e 2004 o Professor teve participação ativa no desenvolvimento do processo de extração de gálio do licor de Bayer proveniente do processamento da bauxita. Graças à sua grande experiência com o uso de resinas de troca iônica para fracionamento de soluções iônicas contendo metais, Alcídio pode participar da implantação de uma unidade na Escola Politécnica da USP.
 
Inicialmente, como base na prova de toque descrita por Fritz Feigl, Alcídio implantou um processo para identificação semi-quantitativa de gálio nas diversas etapas do processo  que forneciam informação imediata da absorção do gálio pela resina e em seguida por sua eluição. Esse processo por ele descrito (Anais da ABQ -Vol 44  Nº2 - 1995- pag 5) Se presta também  para arquivar os resultados e comparar as diversas condições operacionais.
 
Em conjunto com o IMA - Instituto de Macromoléculas Eloisa Mano da UFRJ participou do desenvolvimento da resina de amidoxima mais adequada para a separação alumínio/gálio.
 
Mesmo com idade avançada continuou orientando teses de mestrado e doutorado como por exemplo, em 2005 a tese de  doutoramento de Soraya Maria Rizzo  que  apresenta um estudo sobre a síntese e caracterização de acetatos de lantanídeos para a obtenção de produtos puros aplicados na área de pesquisa e desenvolvimento de novos materiais, especialmente catalisadores. Na primeira prepararam-se acetatos delantanídeos (La, Ce, Pr, Nd e Sm), que foram caracterizados quanto à pureza química.
 
O pesquisador manteve suas atividades no Centro de Química e Meio Ambiente do instituto até o ano de 2010, quando se afastou momentaneamente da pesquisa por motivos de saúde. Ele desenvolvia estudos para a área de células a combustível e hidrogênio, tecnologia para obtenção de energia de forma sustentável e com maior eficiência. Em idade avançada e após sua aposentadoria o Professor continuou a formar mestres e doutores dentro de suas especialidades.
 
Ainda em 2010  com a idade de 85 anos  orientou a tese de doutoramento de João Coutinho Ferreira sobre a “Remoção de Amônia Gerada em Granjas Avícolas e sua Utilização em Células a Combustível e uso com Fertilizante”.
 
Durante esta longa e proveitosa carreira recebeu muitos prêmios  homenagens e distinções de instituições no país e no exterior, entre elas o Diploma de Honra ao Mérito e a Medalha Carneiro Felipe, pela Comissão Nacional de Energia Nuclear; a Medalha Mérito Tamandaré, pelo Ministério da Marinha; e o diploma "honor al merito universitario", pela Universidad Nacional de Assunción, Paraguai. Tornou-se em 1996 Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico - Área Tecnológica. Em 2000, foi homenageado como Pesquisador Emérito do Ipen. Em 1999 recebeu do Conselho Regional de Química da Quarta Região o Prêmio Fritz Feigl.
 

 
Agradecemos a colaboração na elaboração deste texto da Dra. Fátima Maria Sequeira de Carvalho; e de Jonny Ros - Gerente da Khemia
 
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